Campinas & Maracatu

HISTÓRICO DO MARACATU EM CAMPINAS

gloria pereira da cunha

Esse é um histórico preliminar, um pré-histórico talvez.

Vou colocando aqui algumas coisas (re)colhidas em diversos lugares, em estudos lidos e/ou ouvidos.

Aos poucos vou arrumando, com a ajuda de quem puder ajudar, e colocando os devidos créditos.

A ideia é partir da cultura negra de Campinas, do que primeiro apareceu por aqui de cultura negra, e buscar as chegadas do maracatu pelas terras de Carlos Gomes.

 

Quero dar um destaque em uma linha que liga o bairro do Pina, no Recife,  ao maracatu de Barão Geraldo, Campinas, SP.

RaquelRaquel Trindade começou já em 1988 a fazer maracatu por Barão Geraldo, Campinas, como professora da Unicamp. De sua atuação na universidade nasce um grande grupo parceiro de cultura popular, o Urucungus. Raquel é filha de duas grandes figuras: é filha do poeta pernambucano Solano Trindade e de Margarida da Trindade, costureira, bordadeira e professora de dança popular no Teatro Popular Brasileiro, que criou junto com Solano e do sociólogo Edson Carneiro.

MargaridaMargarida era do Pina, bairro do Recife, o mesmo lugar que depois foi sede, a partir de 1967, do Maracatu Porto Rico do Oriente, do grande Eudes Chagas, o mesmo lugar que é sede da Nação do Maracatu Porto Rico e da Nação do Maracatu Encanto do Pina, nações que o Maracatucá toca e divulga, nossa inspiração. Margarida Ela foi provavelmente uma das primeiras arte-terapêuta, tendo trabalhado no Museu da Imagem do Inconsciente, com a Dra. Nice de Oliveira, depois de fazer um curso técnico de terapeuta ocupacional.

Captura de Tela 2014-08-21 às 12.41.57Mestre Shacon Viana, de Porto Rico, veio a Campinas pela primeira vez em 2004 e depois voltou em 2007 para um Oficina de Baques, junto de Beto Baiana, dançarino de Porto Rico, que ministrou uma oficina de dança. A partir 2009 mestre Shacon voltou todos os anos até 2015 dando oficinas promovidas pelo grupo Maracatucá, juntamente com mestra Joana, mestra do Encanto do Pina e responsável pelos abês da Nação Porto Rico.

Pontuando

  1. Campinas – origens da cultura afrobrasileira em Campinas [ a desenvolver/ verificar tese de Érica ]
  • Fotos antigas de Campinas – CLIQUE AQUI
  • A cultura negra em Campinas – fontes
  • Algumas datas:

1933 –  fundação da Corporação Musical Campineira dos Homens de Cor, banda tradicional de Campinas/SP. Iniciada pelo maestro João de Oliveira.

1945 – fundação do Clube Machadinho  (Centro Cultural e Recreativo Benedito Carlos Machado)

“… o Samba de Bumbo Campineiros […] é uma manifestação típica do estado de São Paulo, com grande expressividade em Campinas, Bom Jesus de Pirapora, Santana do Parnaíba e Tietê. Ele surgiu nas áreas rurais na metade do séc. XIX pelos afros-descendentes paulista e aos poucos migrou para as áreas urbanas, onde se tornou fonte de referências para outras modalidades musicais como: a sertaneja de raiz e os sambas de quadras das agremiações carnavalescas de São Paulo.Ao lado do Jongo de Guará e do Batuque de Umbigada de Tieté, o Samba de Bumbo e o Samba Lenço Rural Paulista compõem a trilogia de manifestações negras que teve a sua origem durante o regime escravocrata e o seu papel foi fundamental para a resistência e a continuidade dos valores comunitários dessa população na elaboração de conteúdos e da cosmovisão africana no Brasil.”  (texto de Lenita Nogueira http://www.overmundo.com.br/overblog/samba-antigo-nas-escolas)

 

Apresentação de Samba de Bumbo do grupo Urucungos, de Campinas, SP, no festival de dança de Blumenau.

MANZATTI, Marcelo Simon. Dissertação: Samba Paulista, do centro cafeeiro à periferia do centro: estudo sobre o Samba de Bumbo ou Samba Rural Paulista.  CLIQUE AQUI

 

SOLANO TRINDADE

“Além de poeta, Solano Trindade era artista plástico, teatrólogo, ator e com a primeira de suas três esposas, Margarida da Trindade, aprendeu o ofício de folclorista. Foi na companhia de Margarida, e do etnólogo Edson Carneiro que, em 1950, ele funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB. O casal Trindade ainda ajudou Aroldo Costa a montar o Teatro Folclórico, rebatizado posteriormente como Brasiliana.”

Solano e  as comemorações de 100 anos de seu nascimento

 

sobre Raquel Trindade em Campinas – da Unicamp  ao Urugungus

A arte de Raquel Trindade – Resistência Cultural Afrobrasileira – o vídeo mostra o trabalho de Raquel Trindade, da transição de Solano para o Embu, a importância de Margarida Trindade – mãe de Raquel e ex-moradora do Pina, Recife, PE, mesmo bairro da Nação do Maracatu Porto Rico – na transmissão da cultura popular do Recife, inclusive do Maracatu.

blog de Raquel http://raqueltrindadekambinda.blogspot.com

  • artigo Pela unidade, de Solange Cavalcante

“Em 1988, Raquel Trindade foi convidada para lecionar na Unicamp, mesmo não tendo diploma universitário. […]

Vídeo do Maracatu da Unicamp no Embu das Artes

“Quando cheguei lá”, conta Raquel “só tinha um negro na turma de graduação. Aí eu pedi à Universidade para que fosse criado um curso de extensão para que eu pudesse ensinar folclore à comunidade negra e às outras graduações”.

Na primeira turma de extensão universitária houve 170 inscritos para ouvir sobre folclore nacional e cultura negra. Para Raquel, samba precisa ser ensinado, sim. “Há coisas que as pessoas precisam saber. Precisa falar dos escravos de Campinas, da Fazenda Barão Geraldo, da Santa Genebra, Rio das Pedras. Lá, os escravos faziam rodas de samba de bumbo nas horas vagas.”

veja mais em http://www.andredeak.com.br/emcrise/reportagem/reportraqtrindade.htm

O Urucungos foi fundado em 1988, na UNICAMP através de um curso de extensão ministrada pela Profª de cultura popular Raquel Trindade que o batizou de Urucungos (Berimbau), Puítas (Cuíca) e Quijêngues (Tambor), instrumentos musicais africano proveniente de Angola e muito difundido no Brasil.

 

O Maracatu do Urucungos

(Texto extraído de: O Passado Negro: a incorporação da memória negra da cidade de Campinas através das performances de legados musicais – Érica Giesbrecht)

Em seu Maracatu o Urucungos não segue uma coreografia fixa. Somente o que é fixo é a ordem de apresentação das personagens, a exemplo das nações do Recife. Ao longo dos cortejos, o grupo se vale de uma coletânea de passos, aprendidos inicialmente com Raquel Trindade, e enriquecida por outras experiências como Nação Nagô e o aprendizado com pessoas foram passando por ali. De maneira geral, os personagens vão entrando em cena dançando os passos que melhor os identificam; enquanto rei e rainha executam passos majestosos, princesas e damas mantêm passos que permitam carregar os objetos que entregarão ao casal real e que também mostrem atitudes de reverência; lanceiros, por sua vez, misturam golpes de capoeira a seus passos. O bloco das baianas é quem se encarrega de explorar a diversidade de passos do Maracatu, sendo, nos cortejos, responsável pela mobilização do público, trazendo-o para dentro do espetáculo.

Musicalmente, o cortejo do Urucungos absorveu as experiências coletivas do bloco Nação Nagô, que teve como referência rítmica os Maracatus Pernambucanos e acabou mantendo a célula rítmica mais conhecida nos Maracatus de Baque Virado. É claro que com o passar dos anos, o grupo foi adquirindo uma linguagem própria, embora ainda atribuam essas especificidades aos ensinamentos de Raquel Trindade. Houve um ligeiro deslocamento na célula rítmica da alfaia grave, uma variação no toque do agbê, chamado no Urucungos de xequerê, diferenciações no gonguê, acréscimo de um agogô e a criação de uma alfaia média, interpretada pelo grupo como a marca registrada do Maracatu Cambinda.

Vemos aqui a evolução de repertórios orais e as consequentes transformações a que estão sujeitos, gerando outras bases para se pensar em noções de origem e autenticidade. Tanto o baque do Urucungos quanto o Baque do Nação Cambinda possivelmente transfiguram-se no tempo, mostrando agora formas distintas. Mesmo assim, o Urucungos considera sua forma de tocar Maracatu uma herança, ainda que as distinções sonoras sejam claras tanto para eles quanto para a família Trindade.

Finalmente, em relação às letras cantadas nesse Maracatu, ao invés da escolha aleatória de loas, há uma sequência narrativa e fixa, possivelmente moldada pelo Teatro Popular Brasileiro. Estas loas – compostas por Abigail Moura, Capiba, Vitor Trindade, neto de Solano Trindade, ou ainda de domínio público – foram ordenadas para narrar a sequência cênica da cerimônia de coroação, não havendo espaço para a criação ou encaixe de novas cantigas.

Em sendo um espetáculo grandioso e com papéis bem definidos, o Maracatu do Urucungos apresenta-se como uma festa para os olhos e para os ouvidos a uma plateia que os assiste inicialmente. À medida que o cortejo vai se passado, a dramatização da coroação dos Reis do Congo dá lugar à Ala das Baianas, que de fato se encarregam da coreografia mais elaborada do cortejo. Na rua ou no palco, a dança das baianas é extremamente convidativa, sendo invariavelmente o seu contato com o público o momento em que ele se integra à performance. Embalado previamente pelo baque constante e pela narrativa não verbalizada das cores e do brilho da corte real, agora o público se sente à vontade para fazer parte dela, seguindo- a sob a orientação da dança das Baianas.

sobre anos 90 até Nação Nagô (2004)

Mestre Ambrósio – Rabecas de Gramani e Siba, Oficina Unicamp e na Cooperativa Brasil de Eder Rocha e Mauricio e Cooperativa, Ritmos da T

    • Macaratu Nação Tainã e Maracatu Nação Nagô: carnaval de 2003 e 2004

    Oficina na estação cultura ao som da Nação Zumbi

Desfile da Nação Nagô durante o carnaval de 2004 ao som da Nação Zumbi

Desfile 2004  (DVD com Glória )

2005 a 2008 –

Nação Tainã,

Nação Congo – 2010 – Centro de Convivencia Campinas-SP

que pena que choveu…

Tambor Menino, grupo de Americana,

Urucungus,

Ilús de Assuada

Oficina da BioArt de 2006 – https://youtu.be/kMJx9eyeaYE


 

 2008 nasce o Maracatucá!

 

2008 – apresentação no Arraial Dito Ribeiro, no Casarão de Barão, João Paulo Guedes no apito.

 

2008 – MIS Maracatu

Apresentação do Grupo Maracatucá! no evento Mis Maracatu que propôs uma exibição do documentário Estrela Brilhante do Recife e intervenção artística no meio do centro de Campinas, através do maracatu de baque virado, para a população da cidade. Organizado pelo MIS Campinas, Casa Guadalupana e Grupo

2009 – Arraial do Dito Ribeiro na Fazenda Roseira

 

  • Mestre Shacon

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